
Olá a todos!
Entre os dias 28 de Dezembro 2025 e 3 de Janeiro 2026, a equipa do Olhares2 selecionou 25 fotografias — menos duas do que na semana anterior. A curadoria destacou, mais uma vez, a riqueza e a diversidade de estilos, abrangendo macrofotografia, paisagens, fotografia de rua, retratos, vida selvagem e arquitetura.
Como já é tradição, a escolha da Foto da Semana ficou nas mãos da comunidade, que participou ativamente na votação. No total, foram atribuídas 385 estrelas, menos 155 em relação à semana anterior. No entanto, duas fotografias acabaram a votação com o mesmo número de estrelas, pelo que a decisão de desempate coube à equipa Olhares2.
O grande vencedor foi Mário Sampaio com uma fotografia intimista caracterizada por um negro absoluto de onde emerge uma mão que parece esculpida pelo trabalho, pelo tempo e pela repetição dos gestos, como que cada fissura da pele carregasse um pedaço de uma biografia silenciosa. O cigarro, pequeno e frágil entre os dedos calejados, torna-se quase irrelevante face à densidade humana que o envolve. A fumaça sobe lentamente, desenhando curvas efémeras no vazio, como pensamentos que se dissipam antes de serem ditos. Não há rosto, não há contexto — apenas o essencial: matéria, desgaste e respiração. A escolha do preto e branco é decisiva e profundamente consciente. O contraste elevado destaca a textura extrema da pele e os relevos da mão, amplificando cada detalhe. O fundo totalmente negro isola o sujeito de qualquer distração, criando uma leitura quase escultórica. É uma imagem onde a técnica está ao serviço da matéria humana — crua, honesta e sem concessões. A fotografia do Mário conquistou 43 estrelas. Parabéns, Mário!

ESCOLHA DOS EDITORES | FOTO DA SEMANA DE 28 DEZEMBRO 2025 A 03 JANEIRO 2026.
– Mario Sampaio
Em segundo lugar temos Luís Paralta com uma fotografia de paisagem onde a neve apaga caminhos e silencia distâncias e uma pequena cabana vermelha se ergue como um ponto de resistência visual e emocional. Isolada num cenário fechado por uma muralha de montanhas, a cabana parece guardar histórias que o vento não ousa contar. O céu pesado, carregado de nuvens baixas, desce quase até ao horizonte, comprimindo a paisagem e reforçando a sensação de recolhimento. Aqui, a cor não é ornamento — é sobrevivência, pois o vermelho pulsa contra o cinzento e o branco como um coração exposto no meio do frio. A imagem é caracterizada por um contraste cromático magistral, onde a saturação controlada da cabana rompe deliberadamente uma palete fria e quase monocromática. A composição aposta numa forte leitura horizontal, com camadas bem definidas, criando profundidade sem recorrer a elementos complexos. É uma fotografia que fala de silêncio, mas com voz firme. A fotografia do Luís também conquistou 43 estrelas. Parabéns, Luís!

Luís João Paralta
Em terceiro lugar temos José Silva com uma fotografia macro de uma pequena traça que abre as asas como um diagrama perfeito da natureza, onde cada linha, cada filamento e cada padrão se repetem com rigor quase matemático, numa tensão subtil entre o orgânico e o geométrico. A composição centralizada assume a simetria como elemento estrutural, sem receio de quebrar regras clássicas, porque aqui a simetria é o próprio tema. É uma fotografia de precisão, paciência e respeito pelo instante mínimo. A fotografia do José conquistou 32 estrelas. Parabéns, José!

José Silva
Já se encontram em votação as fotografias selecionadas durante a semana de 04 a 10 Janeiro de 2026. Não se esqueçam de votar!
Um até já,
A equipa Olhares2.


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