FOTO DO ANO 2025

Olá a todos!

Procedemos à eleição da FOTO DO ANO na nossa Comunidade.

A fotografia intitulada “Dádiva”, da autoria de Filipe Correia, foi eleita Foto do Ano 2025. Esta imagem foi uma das que obteve a pontuação mais elevada durante o ano 2025 no processo de avaliação realizado pela Equipa de Editores Olhares 2. Além disso, foi escolhida pela comunidade como a Fotografia das Semanas 24 de Agosto a 6 de Setembro e foi também escolhida pela Equipa Olhares 2 para a Fotografia do Mês de Setembro 2025. Deste modo, acaba também por ser declarada a vencedora do título de FOTO DO ANO 2025.

Dádiva
ESCOLHA DOS EDITORES | FOTO DAS SEMANAS 24 AGOSTO A 06 SETEMBRO 2025 | FOTO DO MÊS SETEMBRO 2025 | FOTO DO ANO 2025.
– Filipe Correia

Esta imagem impõe-se menos pelo impacto imediato e mais pela permanência do seu significado. É uma fotografia que não se esgota no primeiro olhar; pelo contrário, cresce à medida que o observador permanece nela. Há silêncio, tensão e promessa — três elementos raros de coexistirem com tamanha clareza.

O cenário é um território árido, rachado, quase morto. O chão seco estende-se até ao horizonte como uma memória de algo que já foi fértil, mas que hoje apenas resiste. Não há vegetação, não há abrigo, não há movimento. Essa paisagem funciona como metáfora universal: crise climática, esgotamento emocional, colapso social ou até mesmo espiritual. Cada espetador pode reconhecer ali o seu próprio deserto.

Sobre esse mundo suspenso, surge o elemento mais perturbador da imagem: uma mão colossal atravessando o céu, saindo de uma abertura geométrica, quase cirúrgica. Não é claramente divina, nem totalmente humana. Está entre dimensões. A mão segura um pequeno monte de terra do qual brota um rebento frágil, ainda assim vivo. O gesto é de oferta, não de imposição. Nada é lançado, nada é forçado. A esperança é apresentada, não garantida.

A escala é fundamental para a força simbólica da fotografia. O homem solitário, pequeno, quase insignificante diante da vastidão do espaço e da mão gigante, não reage de forma teatral. Ele observa. Esse detalhe é crucial: a imagem não fala de salvação automática, mas de escolha. A vida é possível, mas exige consciência, responsabilidade e ação. O observador humano não corre, não se ajoelha, não celebra. Ele contempla — como se estivesse a decidir se ainda acredita.

O preto e branco intensifica o drama, elimina distrações e transforma a fotografia numa espécie de manifesto visual onde luz e sombra dialogam com o tema central: desespero e esperança coexistem, nenhum anula o outro. As nuvens densas reforçam a sensação de iminência — algo está prestes a acontecer, mas ainda não aconteceu.

A imagem demonstra domínio absoluto da linguagem visual: equilíbrio de massas, narrativa clara, manipulação simbólica sem cair no óbvio. Conceptualmente, é madura. Não grita uma mensagem; sussurra uma pergunta, respeita a inteligência do espetador.

Esta obra representa mais do que excelência estética. Ela reflete o tempo em que vivemos — um tempo de fissuras, mas também de possibilidades. Um tempo em que a esperança já não é abundante nem fácil, mas ainda existe, pequena, frágil, nas mãos de quem decide aceitá-la.

No fim, a fotografia não nos diz se o mundo será salvo. Ela apenas lembra que a semente ainda está ali. E isso, por si só, já é um ato poderoso.

Reconhecemos e celebramos o legado fotográfico de Filipe Correia, que continuará a marcar a nossa Comunidade.

A equipa Olhares2.

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